Teresinha e Cecilia foram estudantes do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) em meados dos anos 1970. Teresinha teve intensa atuação no movimento estudantil, chegando a ser eleita secretária do Diretório central de estudantes, o DCE livre da USP, em 1976, momento de sua refundação. Desde aquela época, as jovens sonharam em mudar o país por meio da educação, uma meta que nos dias de hoje é encontrada nas plataformas de partidos políticos e instituições.

O ensino de ciências na escola pública e particular ocupou parte significativa da vida profissional das jovens, Cecilia e Teresinha. Desde cedo, elas planejaram suas aulas de forma criativa, buscando materiais alternativos aos livros didáticos e, quando possível, elementos na pesquisa e debate acadêmicos que pudessem alimentar a qualidade da educação científica (para não repetir). Sobretudo, procuraram nos olhos de seus alunos sinais de aprendizagem. A aula está sendo ou foi significativa? O assunto é relevante? É útil para compreender o mundo? Perguntas como essas estiveram na mente das professoras, desde suas primeiras aulas, e foram os fundamentos de união da dupla, no começo dos anos 1990.

Naquela época, Teresinha já atuava como técnica na CENP – a Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas da secretaria estadual de educação de São Paulo. Foi para essa instituição de referência que Teresinha e Cecilia escreveram seu primeiro material conjunto, destinado à orientação de professores de ciências dos dois segmentos do então 1° grau, constituindo os três volumes da “Prática Pedagógica”. A oportunidade criou uma base de discussões e conhecimentos que posteriormente foi essencial para escrever, a pedido do Ministério da Educação, os PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais de Ciências Naturais, em meados da mesma década.

Paralelamente à atuação em sala de aula do Ensino Fundamental ou Médio e formação de professores em serviço, trabalhos com propostas curriculares e de avaliação tornaram-se frequentes na carreira das educadoras, como dupla ou de modo individual. A Cecilia  participou do Enem – Exame Nacional do Ensino Médio – desde suas primeiras edições e, mais recentemente, do PISA – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. A Teresinha coordenou a área de Ciências Naturais do Ensino Fundamental do Encceja  – Exame Nacional para Certificação de Competências  de Jovens e Adultos. Esse programa contou com a Cecilia, como coordenadora de textos de todas as áreas do Ensino Fundamental e como autora de  um dos capítulos para o aluno jovem ou adulto.  Nesse programa, as educadoras passaram para o papel algumas de suas propostas de educação científica interdisciplinar e problematizadora para o aluno, que antes estavam apresentadas principalmente em teoria ou registradas nas apostilas preparadas para seus próprios alunos.

Na verdade, é bastante difícil resumir os trabalhos realizados por essas atuantes educadoras, tantos eles foram. No campo de formação de professores, dignos de nota são os dez anos da Cecilia como professora de Didática de Ciências, na escola de professores do SINPRO SP – Sindicato de Professores de São Paulo. É também importante destacar a atuação da dupla na educação indígena da etnia ticuna, no Alto Solimões, onde trabalharam junto à OGPTB – Organização Geral dos Professores Ticunas Bilíngües. Teresinha chegou a trabalhar durante três anos na formação universitária dos professores ticunas. .

No campo dos livros didáticos, Cecilia começou a escrever ainda nos anos 1970, publicando pela Bloch Educação a “Ciências do Visconde”, para primeira série.  Depois escreveu para a Editora Moderna a coleção “Hora da Ciência”, lançada em 1999, para séries iniciais do Ensino Fundamental. Teresinha também teve publicada sua coleção do Ensino Fundamental nas Escolas Associadas, Pueri Domus, em 1994.

Assim, quando a dupla decidiu escrever “Ciências: Atitude e Conhecimento”,  há quase dez anos, já tinha clareza de quais princípios adotar e por quê queriam desdobrar esforços para lançar uma nova coleção de Ciências. Reconheciam que o momento de renovação do ensino de ciências deveria contar também com a contribuição das profissionais que há tantos anos vieram revendo criticamente o que já se fez e produzindo os pilares para um novo ensino de ciências no país.

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